sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Plano de Aula: Diagnóstico do domínio da linguagem escrita

Diagnóstico do domínio da linguagem escrita


Objetivo

Identificar o domínio de cada aluno em relação aos padrões da linguagem escrita.

Conteúdos específicos

- Produção de texto.
- Fábulas.

Anos

Do 3º ao 5º ano

Material necessário

Folhas para escrever, lápis e borracha.
No caso de alunos com deficiência intelectual, providencie, também, uma prancha de comunicação.

Flexibilização

Para alunos com paralisia cerebral, mas com um nível razoável de compreensão, ofereça uma explicação individual a respeito da atividade que será realizada e marque no quadro todas as etapas da aula. A repetição é fundamental para o acompanhamento.

Ao invés de realizar o trabalho de reprodução da fábula individualmente, divida a turma em duplas, para que o aluno seja apoiado por um colega. Ambos devem discutir o enredo da fábula, mas o aluno sem deficiência servirá como escriba. Caso o aluno seja incapaz de falar com clareza, uma alternativa é utilizar uma prancha de comunicação - um cartaz com imagens e trechos da fábula para que o aluno com deficiência possa apontar (com as mãos ou pés) os elementos sobre os quais deseja contar algo.

Se necessário, estenda o tempo da atividade e oriente os familiares do aluno com deficiência para que releiam a história com ele em casa, antes da produção textual.


Desenvolvimento

1ª etapa

Converse com a turma sobre a atividade que você vai propor, explicando que ela será importante para o planejamento das próximas aulas e vai ajudar todos a escrever com mais segurança. A tarefa é reproduzir por escrito uma fábula (de conhecimento da turma) que será lida por você em sala.

2ª etapa

Depois da leitura, converse sobre o enredo para que as crianças se familiarizem ao máximo com a história. Você pode solicitar que contem a fábula oralmente para ter a certeza de que
todos têm condições de reproduzi-la por escrito. Por fim, peça que os alunos a escrevam por conta própria.

Flexibilização para deficiência intelectual

Peça à família ou ao AEE que leiam mais vezes a fábula escolhida e que o aluno a reconte. Em classe, tenha uma conversa antecipada com ele para que possa perceber melhor o comportamento esperado. Proponha ao grupo um reconto oral em que cada um conte parte da fábula. Combine antes qual será lida por ele. A escrita da fábula pode ser feita em dupla, se ele não for alfabético. Nesse caso, o colega será o escriba.

Avaliação

O diagnóstico é feito ao analisar os textos de acordo com uma lista de problemas e dificuldades previamente estabelecida, que considere tanto padrões de escrita como características do gênero escolhido. No caso das fábulas, uma sugestão possível é a seguinte:

Padrões de escrita

- Apresenta muitas dificuldades para representar sílabas cuja estrutura seja diferente de consoante-vogal.
- Apresenta erros por interferência da fala na escrita em fim de palavras.
- Apresenta erros por interferência da fala na escrita no radical.
- Troca letras ("c"/"ç", "c"/"qu", "r"/ "rr", "s"/"ss", "g"/"gu", "m"/"n") por desconhecer as regularidades contextuais do sistema ortográfico.
- Troca letras ("c"/"ç"/"s"/"ss"/"x", "s"/"z", "x"/"ch", "g"/"j") por desconhecer as múltiplas representações do mesmo som.
- Realiza trocas de consoantes surdas (produzidas sem vibração das cordas vocais, como "p" e "t") e sonoras (com vibração das cordas, como "b" e "d").
- Revela problemas na representação da nasalização ("ã"/"an").
- Não domina as regras básicas de concordância nominal e verbal da língua.
- Não segmenta o texto em frases usando letras maiúsculas e ponto (final, interrogação, exclamação).
- Não emprega a vírgula em frases.
- Não segmenta o texto em parágrafos.
- Não dispõe o texto (margens, parágrafos, títulos, cabeçalhos) de acordo com as convenções.

Flexibilização para deficiência intelectual

Se o aluno ainda não dominar a escrita, explore bastante o reconto oral e a leitura das ilustrações. O reconto pode ser gravado em áudio e explorado junto com todo o grupo.

Características do gênero

- Modifica o conflito principal da história.
- Não evidencia a relação entre os personagens.
- Não constrói o clímax.
- Transforma o desfecho da história.
- Não constrói o texto de modo a retomar ideias anteriores para dar unidade de sentido (coesão referencial).
- Não usa marcadores temporais.

Assim que preencher a análise de todos os alunos, faça a tabulação dos dados. Se você tiver acesso a um computador e um software de edição de planilhas (do tipo Excel), esse trabalho poderá ser feito com mais rapidez. Consolide os dados e verifique quantas vezes os problemas listados aparecem no texto de cada criança. Em seguida, registre o total de vezes que esse problema aparece em todo o grupo. Com base nesse diagnóstico, liste os problemas principais que precisam ser trabalhados com toda a turma, tratando-os como conteúdos prioritários para o semestre.

Essa análise também vai permitir que você identifique dificuldades individuais dos alunos. Uma opção para tratá-las é planejar atividades em grupos, desde que eles reúnam alunos com diferentes níveis de conhecimento. Dessa forma, os estudantes mais avançados poderão interagir com aqueles que têm dificuldades para que possam se desenvolver juntos.

Tenha cuidado ao formar esses grupos. O nível de conhecimento dos alunos deve ser variado, porém, não muito. Caso contrário, corre-se o risco de o aluno com dificuldade não conseguir acompanhar o colega mais avançado.


Consultoria: Cláudio Bazzoni

Assessor de Língua Portuguesa da prefeitura de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, com base no documento Aprender os Padrões da Linguagem Escrita de Modo Reflexivo, da prefeitura de São Paulo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Musica de qualidade para crianças: Palavra Cantada

A Palavra Cantada existe desde 1994, quando os músicos Sandra Peres e Paulo Tatit propuseram criar novas canções para as crianças brasileiras. 



Em todos os trabalhos que realizaram desde então, tornaram-se linhas marcantes a preocupação com a qualidade das letras, arranjos e gravações e o respeito à inteligência e à sensibilidade da criança.





Uma ótima proposta para atividades lúdicas com crianças (exemplo: percussão corporal, com latinhas, conhecimentos sobre a cultura regional, parlendas, cantigas de roda...), ou simples (simples?) e inspirador fundo musical para horas de brincar.

Para conhecer mais sobre o grupo Palavra cantada, visitem: 
www.palavracantada.com.br

Vários álbuns estão disponíveis gratuitamente e online no site www.radiouol.com.br, basta realizar a busca através do nome do grupo.


Deliciem-se, compartilhem a dica com colegas de trabalho, e utilizem com seus alunos!



Contribuições da Educação Física

A Educação Física é disciplina componente obrigatória da Educação Básica, estando presente, muitas vezes, desde a Educação Infantil.

Porém, sua contribuição e importância no contexto escolar é um assunto que divide opiniões.
Vamos conversar sobre isso?







Ama-se ou odeia-se.


Em geral, os alunos que amam são:
- a maioria dos meninos, que trazem uma ideia associativa entre masculinidade e futebol...
- os praticantes de esporte...
- aqueles que se destacam positivamente da turma por suas habilidades com a bola... 

Os que odeiam são:
- a maioria das meninas, possuidoras da ideia do esporte como totalmente masculino...
- os mais gordinhos, que não movimentam-se com agilidade...
- os magrinhos, fracos e frágeis demais para encarar os inevitáveis "trombões" contra os colegas, e tombos...
- os baixinhos, que não chegam nem perto da rede de vôlei ou da cesta de basquete...

O que é inevitável é que a Educação Física trás alguma contribuição para os alunos, professores, e interfere na ordem da escola.

Muitos dizem que acarreta uma "desordem".

Muitos professores de classe preferem que seus alunos frequentem a aula de Educação Física nas vésperas do horário de saída, pois se voltarem para a aula o rendimento será diminuído pela euforia. Ou então, ministram as aulas mais complexas (matemática, português), antes da Educação Física, pois acham que posteriormente a ela não seria possível.

Os alunos consideram a aula de Educação Física livre, momento de diversão, extensão do intervalo.
Realmente nestas aulas, cabem atividades mais divertidas. A euforia muitas vezes toma conta dos alunos e até dos professores. Há ansiedade pela vitória do desafio, e há felicidade quando isso ocorre. O trabalho em equipe trás conflitos e resoluções de conflitos.

E podemos/devemos, nós, professores, aprender algo com a Educação Física.


Um bom professor de Educação Física (aquele que tem planejamento de aulas, desenvolve procedimentos e objetivos pedagógicos), trabalha não somente os esportes mais comuns (futebol, volei, basquete, handbol), mas também jogos cooperativos, atividades corporais individuais e em equipe, condicionamento físico e ginástica geral. O lúdico muitas vezes é presente neste contexto, o que torna a aula muito mais prazerosa e divertida. Desta forma, consegue-se o aceitamento e participação, se não total, da grandíssima maioria da turma.

Nessas aulas, muitas vezes ocorre que quem destaca-se positivamente é justamente aquele que destaca-se negativamente no rendimento escolar (sala de aula, notas) e na questão da disciplina. Esta questão muitas vezes coloca a Educação Física ou Informal ("libertadora") como rival da Educação Formal ("disciplinadora").

A realidade é que devíamos tornar a Educação Formal, Conteudista, de dentro da sala de aula, um pouco mais próxima da Educação Física.



Mas em quais aspectos?

As atividades lúdicas, mesmo que não necessariamente presentes em todas as aulas de Educação Física, apresenta-se em muitas delas. O mesmo pode ser feito em aulas de conteúdos mais complexos. 










Até mesmo a disposição das carteiras e dos alunos dentro da sala de aula não é necessária para que se aprenda conteúdos. O uso da sala de aula é totalmente discutível quanto à sua necessidade em todos os momentos do ensino, já que muitas aulas podem ser feitas no espaço externo da escola, com todos os alunos sentados no gramado do campo de futebol, ou assistindo a uma aula no pátio da escola em um dia de calor.




O que me parece bem importante na Educação Física, é a não hierarquização dos personagens. 
Em uma equipe, todos estão no mesmo patamar de importância, de visibilidade, e o professor pode, inclusive, tornar-se parte de uma das equipes, ou da equipe total.

A questão dos desafios propostos pela Educação Física, os obstáculos físicos, também podem ser adaptados no ensino de Português, Matemática, Ciências, História, Geografia, Inglês, enfim. 
Dispor os alunos em equipes de trabalho para realizarem em conjunto uma atividade, para que adquiram um conhecimento, gera uma alegria importantíssima para a motivação do aluno. Alegria muitas vezes presente quando faz-se um gol no futebol, ou uma cesta no basquete.
Os alunos podem sentir euforia, ansiedade, conversar com os colegas, aprender com a equipe, e vibrar com o aprendizado.

Logicamente, em toda proposta de atividade, mesmo que lúdica, divertida ou até "livre", deve obrigatoriamente, ter uma finalidade, um objetivo pedagógico, mas nós, professores e futuros professores, temos muito o que aprender com os bons profissionais de Educação Física.

Devemos aceitar a "desordem", ou a "ordem peculiar" que a Educação Física trás para a escola.

É hora de mudar os conceitos, melhorar o ensino, e aumentar o estímulo de nossos alunos!


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Brincadeiras para Educação Infantil


Desenvolver atividades em Educação Infantil não é nada fácil, em razão dos alunos serem muito pequenos e ainda por não corresponderem de forma motora a muitas atividades. Assim, seguem algumas sugestões que poderão auxiliar o professor no cotidiano da sala de aula, bem como fora dela.

Abaixo algumas sugestões de atividades divertidas, e que, pedagogicamente, estimulam o espírito de coletividade, a cooperação das crianças, além da competitividade benéfica (quando bem trabalhada e dosada) e desenvolvimento da psicomotricidade.



Caixa de Sensações: 

O professor pode encapar uma caixa de tênis fazendo um furo em forma de círculo, com dez centímetros de diâmetro. O professor deverá organizar materiais como retalhos, flocos de algodão, pedaços de lixa, tampinhas, caixinhas e outros objetos e ir colocando-os por uma das extremidades, a fim de que a criança, com a mão do outro lado, identifique o material.





Caminho Colorido:
 

Com folhas de papel pardo, faça um caminho para que as crianças carimbem os pés, com tintas coloridas. É uma atividade que envolve muito as crianças, e as deixam muito felizes.





Toca do Coelho:

Dispor bambolês no pátio da escola de forma que fiquem duas crianças em cada um e que sobre uma fora do bambolê. Ao sinal do professor, as crianças deverão trocar de toca, entrando duas em cada um. Sempre sobrará uma criança fora da toca.





De onde vem o cheiro? 

A professora irá passar perfume em um paninho e o esconderá na sala, num lugar fácil, onde os alunos deverão descobrir de onde vem o cheiro.



Dentro e Fora: 

Fazer uma forma geométrica bem grande no chão e pedir que as crianças entrem na delimitação desse espaço. Se quiser o professor poderá fazer outra forma dentro da que já fez onde irá pedir que os alunos adentrem também, explorando ainda que se a forma é pequena eles irão ficar apertados.

Arremesso: 

O professor fará uma linha no chão, usando fita crepe e as crianças deverão arremessar garrafinhas plásticas cheias de areia, para frente. O professor irá medir as distâncias e verificar quem conseguiu arremessar mais longe. Depois, em sala de aula, poderá fazer um gráfico explicativo.


Pneus: 

Esses podem ser usados para várias brincadeiras, como pular dentro e fora, se equilibrar andando sobre a parte de sua lateral ou ainda quem consegue rolar o pneu de um determinado lugar até outro sem deixá-lo cair.





Que som é esse?

Com faixas de tnt preto, vendar os olhos dos alunos e fazer diferentes barulhos usando instrumentos musicais, latas, brinquedos, etc., a fim de que as crianças identifiquem os mesmos.




Caixa Surpresa: 

Com uma caixa de papelão encapada, o professor irá mandar para a casa de um aluno a fim de que os pais enviem algum material que possa ser descoberto pelas crianças. O professor vai fazendo descrições do material, até que as crianças descubram o que é.

Pega-Pega Diferente: 

Dividir a turma em dois grupos e identificá-los com lenços ou fitas de cores diferentes. Após o sinal do professor os grupos deverão pegar uns aos outros e a criança pega deverá ficar num espaço delimitado pelo professor. Vence o grupo que tiver mais pessoas que não foram pegas









Por Jussara de Barros

Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

(adaptado)

Me ajuda a olhar

Tudo o que somos é resultado das influências que absorvemos: do meio em que vivemos, das pessoas com quem convivemos, dos ambientes em que frequentamos... 

Além de sermos influenciados/modificados, também influenciamos/modificamos aos outros. 

Essa troca é totalmente inevitável, e pode ser benéfica ou maléfica, mas jamais saímos neutros ou ilesos enquanto nos relacionamos com o próximo. 

Nem a nossa visão é totalmente nossa, nem o nosso pensamento, nossas ideias... Tudo o que se é, se enxerga, se pensa, é resultado daquilo que se ouve, ou até do que se pensa que acham sobre aquilo a que se referimos.

Que possamos exercer boas influências na vida de outros. Que ajudemos a olhar melhor e ver nas coisas mais belas do mundo, belezas maiores ainda!



“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!”

“O livro dos abraços” – Eduardo Galeano (Porto Alegre: L & PM, 2005, p.15)